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Wicked Girls Club

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O rapaz do comboio.

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Fiz uma viagem recentemente. Entrei no comboio sozinha, o comboio, por sua vez também se encontrava sem ninguém. 
Sentei-me no terceiro lugar a contar da porta por onde entrei, do lado da janela, claro. Com fones postos e um livro no meu colo, óculos postos e máxima concentração no que estava a ler. Até que, levantei os olhos do livro que estava a ler (o que nunca acontece, pois ninguém tem a capacidade tão grande para me distrair da minha leitura, mas ele...conseguiu distrair-me por segundos). Deparei-me com um rapaz, alto, olhar profundo e com um ar super misterioso. Nem um sorriso esboçou, olhou para mim fixamente e sentou-se mesmo à minha frente. Nenhum dos dois falou, apenas trocámos olhares e voltei à minha leitura rapidamente. Reparei (mesmo estando a olhar para o meu livro) que ele tinha tirado um livro da mochila que trazia. Engraçado, estava a ler o mesmo livro que eu. Esboçei um sorriso e continuei a ler. 
Após umas boas horas ele toca-me na mão e pergunta o que estou a ouvir, só para garantir se eu também estaria a ouvir o mesmo que ele ou não. Sorri e disse-lhe que estava a ouvir Jazz. Ele abriu os olhos e ficou impressionado e voltou à sua leitura, não disse mais nada. Fiquei a olhar para ele, confusa, por isso puxei-lhe um dos fones e perguntei o porque raio me fez aquela pergunta e não me deu mais resposta. Ele sorriu e disse-me apenas "gostei da resposta". Olhou-me intensamente e perguntou porque estava sozinha. Fiz-lhe a mesma pergunta, fugindo ao que ele me tinha perguntado e ele disse "porque quero, não preciso de companhia" e eu olhei para ele impressionada, pois se eu tivesse respondido, teria dito exatamente o mesmo. A conversa foi fluíndo e às tantas já nos tínhamos esquecido dos nossos livros e da musica. Com o passar das horas esquecemo-nos do nosso destino e simplesmente não nos importámos. 
Não acredito em almas gémeas, nem que estamos destinados a ficar com alguém igual a nós. Mas a nossa ligação mental era mais forte do que qualquer outra coisa, para além do desejo carnal, claro. 
O tempo foi passando e a vontade de o conhecer era maior, mas ele não deixou, parou de falar a certa altura. 
FIquei sem saber o que perguntar mais, senti que ele simplesmente não queria continuar a conversa. Então, antes de pôr os fones, fiz-lhe uma ultima pergunta, algo que estava presente na minha mente desde o momento em que o vi: "se não precisas de companhia, porque é que vieste sentar-te ao pé de mim?". Não houve resposta, também não precisei de uma, pois tínha chegado ao meu destino e saí porta fora, reparando que o destino dele não era o mesmo que o meu. 

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